São Francisco (EUA) – Depois de ver o Altspace VR ser encerrado pela Microsoft no início de 2023, os responsáveis pela experiência digital do Burning Man decidiram desenvolver a própria plataforma de realidade virtual. Batizado de BurnerSphere, o novo ambiente estreia em fase beta nesta semana, a tempo da edição de 2025 do festival no deserto de Black Rock, Nevada.
Como tudo começou
Em 2020, com o cancelamento do evento físico devido à covid-19, participantes criaram uma versão on-line no Altspace. A iniciativa recebeu cerca de 13 000 visitantes e chegou a ser reconhecida pelo Producers Guild of America.
Mesmo com o retorno presencial em 2021, a comunidade manteve a versão virtual, rebatizada de BRCvr, em alusão à cidade temporária Black Rock City. O espaço incluía réplicas de estruturas icônicas, como a escultura de madeira “The Man”.
Impacto do fim do Altspace
Quando a Microsoft descontinuou o Altspace, a CEO da Big Rock Creative, Athena Demos, e o cofundador Doug Jacobson iniciaram a busca por um novo lar digital. Eles testaram mais de 40 plataformas sociais em VR, mas esbarraram em limitações técnicas, como a impossibilidade de carregar grandes volumes de conteúdo.
Desenvolvimento do BurnerSphere
Sem encontrar solução adequada, a equipe decidiu construir um aplicativo próprio. O BurnerSphere funciona em headsets Meta Quest e em computadores desktop. Ao entrar, o usuário aparece em uma versão virtual da Gate Road, via de acesso ao festival. Portais interligados conduzem a áreas com obras de arte, camps e vídeos imersivos em 360 graus.
Durante o Burning Man 2025, transmissões ao vivo serão exibidas no mundo virtual. A equipe também pretende capturar novos conteúdos, incluindo imagens volumétricas (Gaussian splats), e atualizar o espaço quinzenalmente. Eventos regulares estão programados para começar em setembro.
Imagem: BRCvr via theverge.com
Filosofia sem fins comerciais
Demos e Jacobson preferem manter o controle total do projeto para respeitar os princípios do Burning Man, que proíbe atividades comerciais no deserto. Para cobrir custos operacionais, alguns recursos ficarão restritos a assinantes que pagarem uma taxa anual de US$ 48.
“Queremos oferecer aos mais de 100 000 ‘burners’ um lar digital permanente”, afirma Demos. Segundo Jacobson, não há objetivo de escalar rapidamente nem de atrair patrocínio corporativo: “Se a plataforma acabar, será por nossa conta, não por decisão de uma empresa”.
Com informações de The Verge