Um estudo preliminar da Administração Federal de Aviação (FAA) indica que futuras decolagens e pousos do foguete Starship, da SpaceX, a partir do Centro Espacial Kennedy (KSC), podem provocar paralisações temporárias em aeroportos da Flórida e atrasos de até duas horas nos voos comerciais.
O alerta está em uma versão preliminar da Declaração de Impacto Ambiental (EIS, na sigla em inglês) divulgada neste mês. O documento prevê que, durante lançamentos ou retorno do propulsor Super Heavy, os atrasos médios variem de 40 minutos a duas horas. Para a reentrada do estágio superior Starship, o intervalo projetado é de 40 minutos a uma hora. Cancelamentos e desvios de rota também são considerados.
Entre os terminais que podem ser afetados estão os aeroportos internacionais de Orlando, Miami, Tampa e Fort Lauderdale/Hollywood. A FAA estima que, para reduzir riscos, áreas de perigo aéreo (Aircraft Hazard Areas – AHAs) sejam criadas sobre rotas que podem incluir o Atlântico, partes do Golfo do México, Caribe e até espaço aéreo de países da América Central. Essas zonas podem levar ao fechamento de dezenas de aerovias costeiras e oceânicas, exigindo grandes desvios de aeronaves.
Impacto nos aeroportos
Até o momento, os principais aeroportos não receberam instruções detalhadas. A porta-voz do Aeroporto Internacional de Tampa, Emily Nipps, afirmou que não houve reuniões sobre procedimentos, mas que, após questionamentos, foi informada de que esses encontros ocorrerão em breve. O Aeroporto Internacional de Miami relatou situação semelhante.
Diferença para os lançamentos de Falcon
A SpaceX realiza lançamentos frequentes dos foguetes Falcon na Costa Leste — foram mais de 80 apenas no ano passado — sem impacto significativo na aviação comercial. O Falcon, porém, é menor e possui histórico de voo considerado maduro, o que reduz a área potencial de queda de destroços em caso de falha. O Starship, com 120 metros de altura e ainda em fase inicial de testes, exige zonas de segurança maiores.
Planejamento e mitigação
A FAA afirma já ter dialogado com organizações de aviação e trabalhado com a SpaceX em trajetórias hipotéticas de lançamento e reentrada. Antes de qualquer operação, será divulgado um Plano de Gerenciamento de Espaço Aéreo definitivo. A agência levará em conta fatores como número de passageiros afetados, duração da janela de lançamento e feriados.
Como parte da análise, o rascunho do EIS avalia até 44 lançamentos anuais do Starship a partir do KSC, com igual número de pousos do propulsor Super Heavy e do estágio superior. Os pousos podem ocorrer na própria plataforma LC-39A, em navio-plataforma ou, no caso do booster, com possível descarte no Atlântico. O estágio Starship também pode aterrissar no complexo, em navio ou em amerissagem nos oceanos Atlântico, Pacífico ou Índico.
Para minimizar impactos, a FAA cita estratégias como rotas pré-coordenadas, escalonamento dinâmico e gerenciamento de fluxo de tráfego baseado em tempo. A agência já utiliza o protótipo Space Data Integrator, que recebe dados de voo em tempo real da SpaceX e de outros operadores para reduzir a duração das restrições aéreas.
Revisão paralela
Paralelamente, a Força Espacial dos Estados Unidos conduz avaliação ambiental no vizinho Cabo Canaveral, contemplando até 76 lançamentos do Starship por ano. Segundo o texto preliminar, haverá fechamento de espaço aéreo, mas os detalhes ainda não estão definidos, pois o local requer meses de preparação.
Atualmente, todas as operações do Starship ocorrem na Starbase, no sul do Texas. A expansão para o Centro Espacial Kennedy depende da conclusão dos estudos ambientais e da aprovação regulatória da FAA, realizada em conjunto com a NASA, Força Aérea, Serviço de Pesca e Vida Selvagem e outros órgãos federais.
Com informações de TechCrunch