A Mitti Labs, startup sediada em Nova York, desenvolveu um sistema que calcula a emissão de metano em plantações de arroz e treina centenas de milhares de agricultores em práticas de baixo impacto climático. Para ampliar o alcance das ações, a empresa anunciou uma parceria com a organização The Nature Conservancy, focada na promoção de agricultura regenerativa e sem queimadas na Índia.
Como funciona
O software da Mitti usa imagens de satélite e radar capazes de atravessar nuvens, vegetação, água e solo, captando informações sobre as condições que favorecem a produção de metano. Esses dados alimentam modelos de inteligência artificial treinados a partir de estudos de campo, permitindo medir, relatar e verificar (MRV) a quantidade de gás emitida durante toda a safra.
Metano em foco
Arrozais permanecem alagados durante grande parte do ano, o que cria um ambiente sem oxigênio propício a microrganismos produtores de metano. Esse gás tem potencial de aquecimento 82 vezes maior que o dióxido de carbono em um período de 20 anos e a cultura do arroz responde por 10% a 12% das emissões antrópicas mundiais.
Modelo de receita
Os projetos de redução de metano geram créditos de carbono acompanhados pela plataforma da Mitti. A empresa retém uma porcentagem das vendas desses créditos e repassa o restante a agricultores e comunidades. Segundo o cofundador Xavier Laguarta, os produtores participantes costumam registrar aumento de cerca de 15% na margem de lucro.
Expansão via SaaS
Além de iniciativas próprias, a Mitti planeja oferecer sua tecnologia como serviço (SaaS) para outras organizações e empresas interessadas em calcular emissões de escopo 3 em cadeias envolvendo arrozicultores. A estratégia segue caminho semelhante ao adotado pela Mati Carbon, vencedora do prêmio Xprize Carbon, que desenvolve software de MRV para intemperismo de rochas em lavouras.
Parceria e escala
Na Índia, onde a média das propriedades rurais é de um hectare, funcionários locais das aldeias implementam as atividades em campo. A colaboração com a The Nature Conservancy deve facilitar a adoção de práticas sustentáveis por milhões de pequenos produtores. “A parceria profunda com a Nature Conservancy permite desenvolver ferramentas que podem ser usadas em muitos outros programas na região”, afirmou Laguarta.
Com 90% do arroz cultivado na Ásia — e dinâmicas de pequenos agricultores predominando em quase todos os países, exceto possivelmente a China —, a Mitti pretende replicar o modelo em outras áreas, ao mesmo tempo em que busca novas funcionalidades para o software.
Com informações de TechCrunch