A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgaram nesta sexta-feira, 22 de agosto de 2025, um relatório que reforça o risco crescente do calor extremo no ambiente de trabalho. Segundo o documento, a falta de medidas adequadas de proteção já compromete a saúde e a produtividade de milhões de pessoas em todo o planeta.
De acordo com estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), mais de 2,4 bilhões de trabalhadores — o equivalente a 71 % da força de trabalho global — estão expostos a estresse térmico no serviço. Todos os anos, o excesso de calor provoca cerca de 22,85 milhões de lesões ocupacionais e 18.970 mortes.
“Sem uma ação coordenada e ousada, o estresse térmico se tornará um dos perigos ocupacionais mais devastadores de nosso tempo”, advertiu Joaquim Pintado Nunes, chefe da área de segurança e saúde no trabalho da OIT, durante coletiva à imprensa.
Produtividade em queda com cada grau extra
O relatório aponta que a produtividade laboral cai aproximadamente 23 % a cada aumento de 1 °C acima de 20 °C na temperatura de globo úmido, índice que leva em conta calor, umidade e radiação solar.
O cenário tende a se agravar: 2024 foi o ano mais quente já registrado e a década de 2015 a 2024 é a mais quente desde o início das medições. Em ambiente laboral, um trabalhador saudável em repouso mantém a temperatura corporal entre 36,5 °C e 37,5 °C; porém, em atividades físicas ou usando equipamentos que dificultam a transpiração, esse controle se torna difícil. O limite indicado pelo relatório é de 38 °C de temperatura corporal por longos períodos.
Consequências para a saúde
Exposições leves podem causar erupções cutâneas, cãibras ou fadiga, reversíveis com descanso, hidratação e resfriamento. Contudo, períodos prolongados ou calor extremo podem evoluir para insolação e disfunções neurológicas que impedem o trabalhador de buscar ajuda, aumentando o risco de morte. O calor já é o fenômeno climático que mais mata no mundo.
Grupos mais vulneráveis
Pessoas com doenças crônicas, crianças, idosos e profissionais que atuam ao ar livre ou próximos a fontes intensas de calor — fornos ou fogões, por exemplo — estão entre os mais expostos.
Imagem: Hugo Herrera via theverge.com
Recomendações para governos e empresas
OMS e OMM sugerem:
- Sistemas de alerta para ondas de calor;
- Pausas mais longas ou frequentes;
- Revisão de uniformes e adaptação de ambientes de trabalho;
- Planos de emergência para casos de doenças relacionadas ao calor.
Autoridades podem padronizar essas medidas por meio de legislação. Nos Estados Unidos, o governo Biden propôs em 2024 normas que estabelecem intervalos de 15 minutos a cada duas horas quando o índice de calor atingir 90 °F (32,2 °C) em determinadas atividades. O texto, contudo, ainda depende de aprovação em meio a uma agenda regulatória mais flexível sob a administração Trump.
Os autores do relatório reafirmam que, além de adaptações imediatas, a redução das emissões de combustíveis fósseis é essencial para limitar o avanço das temperaturas e evitar prejuízos ainda maiores ao mundo do trabalho.
Com informações de The Verge
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